Nessa semana em que estive em uma de nossas capitais e, durante este período, resolvi conhecer uma imobiliária local e conversar com um colega corretor. Falamos sobre mercado, clientes, processos e a importância de cada profissional atuar de forma correta, com responsabilidade e ética.
Em meio à conversa, ele me revelou algo que me surpreendeu: é muito comum, na região, trabalhar sem exclusividade, sem contrato, sem gestão formal do imóvel.
Ou seja, o proprietário entrega o imóvel para quem ele quiser e o mercado se transforma em uma verdadeira arena. Corretores de diferentes imobiliárias competem pelo mesmo imóvel, muitas vezes sem informações claras, sem alinhamento e sem regras definidas.
O resultado é um cenário caótico: profissionais se degladiando para conseguir mostrar, negociar e fechar a venda. E, o mais grave, sem qualquer segurança de que o trabalho será reconhecido ou remunerado.

Quando o imóvel vira um “leilão” disfarçado
Durante a conversa, o colega relatou situações em que o corretor leva um cliente realmente interessado, faz a proposta formal, mas escuta do proprietário:
“Olha, já tenho uma proposta na frente da sua.”
E aí surge a dúvida: será que essa proposta realmente existe?
Em muitos casos, o que acontece é o uso dessa “técnica” para estimular uma disputa, como se o imóvel estivesse sendo leiloado mas sem transparência, sem controle e sem respeito ao tempo e ao esforço dos profissionais envolvidos.
Para quem atua de forma séria, isso é desanimador. Afinal, além de lidar com a complexidade do cliente, do crédito e da documentação, o corretor ainda precisa enfrentar a insegurança de um processo desorganizado e pouco ético.
A falta de gestão é o início da desvalorização
Quando não há exclusividade, não há responsabilidade definida.
E quando não há responsabilidade, o risco aumenta — tanto para o proprietário quanto para o comprador e o corretor.
Sem um profissional centralizando informações, o imóvel fica exposto de maneira desordenada, com preços diferentes em sites distintos, descrições imprecisas e fotos desatualizadas. O resultado? O imóvel se desvaloriza, a imagem do mercado se desgasta e o cliente perde confiança.
Organização é sinônimo de credibilidade
Propus ao colega a ideia de criar uma rede colaborativa, um sistema em que corretores e imobiliárias pudessem compartilhar imóveis com transparência e controle. Ele me disse que, embora a ideia seja boa, há pouco interesse — o mercado ainda é muito fragmentado, cada um tentando proteger o próprio território.
Mas talvez seja justamente esse o ponto.
O futuro do mercado imobiliário passa por colaboração, profissionalização e confiança.
A exclusividade não é um privilégio do corretor.
Ela é, na verdade, a garantia de que o proprietário terá o melhor resultado possível, com alguém responsável por cada etapa do processo — do estudo de mercado até a assinatura final.
A reflexão que fica
Essa experiência me fez pensar sobre o quanto ainda precisamos evoluir como categoria. A tecnologia, as plataformas e os dados estão cada vez mais acessíveis. Mas o que continua sendo o verdadeiro diferencial é o profissional que age com ética, organização e compromisso com o cliente.
Porque, no fim das contas, o que dá valor ao mercado imobiliário não é apenas o metro quadrado — é a confiança construída em cada negociação.
E você, corretor(a)?
• Já vivenciou situações assim, em que o imóvel parecia estar “em leilão”?
• Acredita que a exclusividade é o caminho para um mercado mais justo e eficiente?
• Como você enxerga o futuro das parcerias e da colaboração entre imobiliárias?





