Essa reflexão começou com uma fala do Kikina, corretor de imóveis e proprietário de uma tradicional imobiliária em Ponta Grossa, durante a entrega da comenda Gralha Azul, uma homenagem dedicada a profissionais e empresas com 50 anos de trajetória no mercado. Na ocasião, as imobiliárias Tavarnaro Imóveis e Dourada Imóveis foram reconhecidas por sua história e contribuição ao setor. Foi nesse momento que, ao lado do meu amigo Canto, corretor de imóveis há quase cinquenta anos e apresentador do programa Mercado Imobiliário de Canto a Canto, iniciamos uma conversa sobre como tudo evoluiu… e como a essência permanece.
Há cinco décadas, o corretor de imóveis contava com ferramentas simples, mas poderosas para a época: a máquina de escrever, os classificados de jornal e as placas fincadas nas calçadas. As fotos dos imóveis eram tiradas em rolos de filme que precisavam ser revelados com cuidado. Os contratos exigiam paciência e digitação precisa. E o “cliente” era atendido com base na confiança e na palavra dada.
Com o tempo, a máquina elétrica trouxe mais agilidade. Depois veio o fax, encurtando distâncias. Os jornais abriram espaço para os sites e portais imobiliários. As câmeras digitais chegaram, e a rotina do corretor começou a mudar. A tecnologia passou a acelerar processos, reduzir erros e expandir horizontes.
A verdadeira revolução veio com a internet e, em seguida, com o celular. O telefone virou computador, agenda, câmera e ponto de venda móvel. O cliente de ontem agora é chamado de lead. O papel virou PDF. O boca a boca virou algoritmo. O portfólio virou Instagram. E a visita ao imóvel, muitas vezes, é feita por tour virtual.
Plataformas como o Avalion mostram que a inteligência de dados já é parte do dia a dia do corretor. Avaliações, relatórios, comparativos, CRM, geolocalização, tudo se resolve em poucos minutos. A entrega ficou mais rápida. O tempo, mais curto. E a expectativa do mercado, cada vez maior.
Mas com toda essa velocidade, uma pergunta ecoa: o que nos resta para o futuro?
A resposta pode estar justamente onde tudo começou: no atendimento. Na escuta. No cuidado. Na presença. Porque por mais que a tecnologia avance, e ela vai avançar, o que encantará o cliente será a forma como ele é acolhido, compreendido e conduzido ao seu sonho.
A diferença estará na humanização do processo.
E talvez, daqui a mais 50 anos, alguém diga: naquela época, mesmo com tanta tecnologia, ainda havia corretores que olhavam nos olhos, escutavam com atenção e entregavam mais do que imóveis, entregavam confiança.

